quinta-feira, 29 de julho de 2021

Cascavel

Do tijolo aos acabamentos: sem insumos, construção civil pode travar

15 Sep 20 - 13h29 Juliet Manfrin
Do tijolo aos acabamentos: sem insumos, construção civil pode travar

Via: Redação/Juliet Manfrin - Foto: Aílton Santos

Está pensando em começar uma grande obra ou aquela reforma típica de fim de ano em casa? A recomendação é pesquisar antes, não só pelos preços, mas se há material disponível no mercado.

Cascavel, a região oeste e o Brasil estão vivendo uma escassez de muitos, mas muitos itens básicos à construção civil que podem fazer o segmento travar.

O construtor José Henrique Tols já está enfrentando este problema. Está com duas obras emperradas, desde o ferro, até tijolos e os acabamentos. “Isso começou a ser sentido lá por julho, agosto, mas piorou mesmo agora em setembro”, conta.

Desde os tijolos, cerâmicas, até tubos e conexões, ferro, material básico para dar suporte a qualquer edificação, itens para acabamentos, todos estão com disponibilidade bem limitada.

Segundo o empresário do segmento e membro da Acomac (Associação dos Comerciantes de Materiais de Construção), Valdecir da Luz Barcelos, é uma soma de fatores que está deixando o mercado sedento por materiais.

O primeiro aspecto diz respeito aos mais de R$ 70 bilhões de auxílio emergencial, aonde parte dos beneficiários aproveitou para fazer os pequenos reparos que precisam ser feitos em casa. Depois vem o fator de que com a pandemia e o isolamento social, as pessoas passaram a olhar mais para suas residências e consertar, colocar os antigos planos em prática. Somado a isso tudo, estão as baixas taxas de juros para quem tem recursos investido, fazendo os investidores migrarem novamente para o segmento de imóveis.

Ocorre que a pandemia também afetou em cheio a produção. Com as fábricas com a maior parte dos seus profissionais sem trabalhar por conta dos riscos do contágio, a produção despencou. 

Assim, a conta não fecha com mais procura e menos oferta e o que se tem visto, de sobra, é o desabastecimento.

Segundo Valdecir, esse pequeno aumento no setor da construção civil, conciliado à queda vertiginosa na produção culminou com o que se vê hoje. Mesmo com o retorno das atividades, de forma gradativa, as indústrias não estão dando conta de entregar todos os pedidos. “Tijolos, por exemplo, a fábrica está entregando fracionado para entregar para todo mundo. Peço 5 mil, recebo mil hoje, mil outro dia e assim vai. Eu acredito que vá mais uns 30 ou 60 dias para que se possa normalizar o fornecimento de boa parte dos produtos”, considerou.


Aumento nos preços

Com mais procura, menor oferta o resultado disso também é aumento de preços. Um dos poucos a não ser afetado com elevações, que em alguns segmentos passa de 40%, é o cimento, que começou o ano custando algo próximo a R$ 22 a saca e hoje está na faixa de R$ 24. 

Quando o assunto é o PVC e consequentemente materiais produzidos a partir dele, como tomadas, tubos, não há sequer uma previsão de regularização para o fornecimento. Isso porque existem ainda outros dois fatores que afetam esse segmento.

A única indústria que produz PVC no Brasil teve um problema de afundamento de solo e outras complicações na região Norte do Brasil, de onde os minerais são extraídos. Resumo, as máquinas pararam de retirar a resina, provocando desabastecimento e aumento nos preços em cerca de 40%, porque o pouco que chega, é importado com o preço do dólar nas alturas. “Só para piorar, a segunda maior indústria, atrás desta do Brasil, está uma que fica no Texas, interior dos Estados Unidos, mas um furação devastou a região na semana passada e afetou a produção por lá também, com queda de quase 50%, ou seja, não tem mesmo o produto e o que vem importado, chega com os preços mais elevados”, segue Valdecir.

Voltando para o Brasil, a demanda é tanta, que uma das principais fabricantes de ferramentas só poderá entregar carrinhos de mão em janeiro de 2021. “Como as fábricas não estão dando conta de produzir, não tem como aumentar rapidamente isso, essa situação só deve ser regularizada gradativamente, então quem for começar uma obra, pesquise antes se há material disponível, acredito que vamos mais uns 60 dias assim”, aconselha Valdecir.


Mais caixa d´água

“Em julho e agosto, por exemplo, foram os meses que mais se vendeu caixa d´água no Brasil interiro, Ou seja, as pessoas estavam em casa, faltou água correram para comprar esse item e foi um recorde histórico nas vendas”, afirmou.

Alguns fornecedores, que antes pediam uma semana, no máximo duas, estão solicitando 60 dias para entregar o material.


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