quinta-feira, 16 de setembro de 2021

Segurança Pública

Quem é Elias Maluco? O traficante acusado por mais de 60 assassinatos e líder do Comando Vermelho

22 Sep 20 - 21h10 Atualizado 22 Sep 20 - 21h13 Juliet Manfrin
Quem é Elias Maluco? O traficante acusado por mais de 60 assassinatos e líder do Comando Vermelho

Via: Redação/Juliet Manfrin - Foto: Reprodução

Considerado um dos maiores traficantes do Brasil e um dos principais líderes do Comando Vermelho, Elias Pereira da Silva, 54 anos, fez sua ‘carreira’ no crime organizado no Rio de Janeiro.

Elias Maluco, que foi encontrado morto nesta tarde em sua cela no Presídio Federal de Segurança Máxima de Catanduvas, não tinha esse apelido por acaso. Em sua extensa lista de crimes e condenações, foi condenado e respondia por mais de 60 assassinatos, entre elas a morte cruel do jornalista da TV Globo em junho de 2002, Tim Lopes.

Elias Maluco nasceu no dia 23 de maio de 1966 no Rio de Janeiro e começou cedo na vida pregressa. Sua morte, no entanto, é registrada apenas 3 dias após completar 18 anos em que havia dado entrada no sistema prisional, mas nem todo esse tempo ele ficou em presídios federais, até porque, o primeiro deles, que é justamente o de Catanduvas, só foi inaugurado no ano de 2006. Elias praticamente inaugurou as estadas no presídio de Catanduvas.

Elias no Comando

Elias Maluco era um dos nomes fortes do Comando Vermelho, ao lado de Fernandinho Beira Mar, e chegou a chefiar, segundo as investigações policiais, o tráfico de drogas em mais de 30 comunidades cariocas.

Após a morte cruel do jornalista investigativo Tim Lopes, Elias Maluco fugiu como pôde da polícia e só foi localizou em uma operação policial que ganhou o nome “Sufoco”, 3 meses após o assassinato do jornalista.


As condenações

No fim do ano de 2002 veio sua primeira condenação por tráfico de drogas e organização criminosa, que na época envolveu o nome de um famoso cantor de pagode brasileiro que chegou a ficar preso por um período.

Depois disso, veio mais uma enxurrada de condenações nos anos seguintes, com mais de 200 anos de condenação, até o momento, pelos mais diversos crimes.

Logo após sua prisão, ficou detido no Complexo Penitenciário de Bangu no Rio de Janeiro, mas ainda com amplo acesso e na linha de comando do seu bando. Em 2007 foi então transferido para Catanduvas após ser acusado de ser o mandante de uma série de crimes ordenados de dentro da prisão que aterrorizou o Rio de Janeiro. A cadeia de comando precisava ser cortada. Sua primeira estada no presídio de Catanduvas durou cerca de 3 anos, quando foi então transferido para outra unidade federal, a de Porto Velho no estado de Rondônia, na sequência passou pelo Presídio Federal de Campo Grande e mais tarde retornou a Catanduvas onde teria tirado a própria vida nesta terça.


A cúpula do Comando Vermelho em Catanduvas

A estrutura de Ctaanduvas acomoda grande parte dos líderes do Comando Vermelho, além de facções aliadas, por um tempo, a estrutura chegou a ser pensada para acomodar os detentos do CV, evitando assim um grande número de membros de facções rivais.

Em 2012, eu, Juliet Manfrin, e o repórter fotográfico Aílton Santos visitamos fisicamente a estrutura para uma reportagem jornalística. Na época, Elias Maluco não estava na unidade, mas estava um de seus principais comparsas, Fernandinho Beira Mar. Ali, a palavra de ordem é a disciplina com presos que ficam em celas individuais e com contato bastante limitado entre detentos.

O corpo de Elias Maluco foi encontrado na tarde desta terça-feira em sua cela individual do presídio. Segundo apurado pela reportagem, ele estava com um lençol envolvido no pescoço, com sinais de enforcamento.


Zero fuga, zero celular, zero rebelião

O sistema prisional federal é considerado um exemplo no cumprimento da Lei de Execução Penal.

Em 14 anos desde o primeiro presídio ficar pronto, nunca houve um único caso de rebelião, um único motim, nem fugas e nunca sequer foi localizado ali um aparelho celular com os detentos.

Longe de estarem superlotadas, as 5 unidades federais custodiam cerca de 750 presos, muitos considerados os principais líderes do crime organizado brasileiro em um sistema bastante rígido de disciplina.

Desde fevereiro do ano passado, uma portaria então assinada pelo ministro Sérgio Moro limitou as visitas nos presídios federais ficando permitida apenas por parlatório, evitando assim o contato físico de custodiados com familiares, por exemplo. Isso se deu após a intensificação dos apelos dos policiais penais pedindo a restrição das visitas, considerando que as investigações comprovaram que foi a partir delas que detentos deram ordem para execução de agentes públicos da segurança, entre eles dois policiais penais executados em Cascavel.

Desde que as visitas foram interrompidas de forma presencial, os detentos ensaiaram uma série de protestos, nenhum deles prosperou.

Com a chegada da pandemia, as visitas por parlatório também cessaram, ficando restritas por videoconferência a partir das Defensorias Públicas da União. Apenas advogados puderam retornar com as visitas por parlatório, mas isso há cerca de um mês. Quando essa medida foi anunciada, o retorno de visitas exclusivamente para os advogados, cerca de 80% dos presos  de Catanduvas iniciaram uma greve de fome, mas que durou apenas 3 dias. 


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